Novas cores para a Rua do Arouche

Reportagem em parceria com A Vida no Centro
Fotos de Marcia Minillo

Janelas coloridas chamam a atenção de quem passa pelo local

O número 126 da Rua do Arouche, centro de São Paulo, já não passa mais batido aos olhos de quem caminha pela região. O casarão, construído na década de 1910, andava meio abandonado, mas, recentemente, ganhou muitas cores e uma vida nova.
Com 450 metros e dois andares (e uma vista modesta, porém inusitada, para um quintal cheio de árvores frutíferas do vizinho, nos fundos), foi construído para ser uma residência. Nos anos 1940, quando a Rua do Arouche começava a se destacar na cidade como um centro comercial refinado, a casa foi transformada em loja.

Munir, proprietário e idealizador do novo espaço

Trinta anos depois, o imóvel foi adquirido por um comerciante do ramo de lingerie, Munir Candalaft, que tocava um negócio numa loja quase em frente, a Casa Miosótis. No 126, Munir alugava salas para uso comercial. E assim foi até a rua passar por um período de decadência, como quase todo o centro de São Paulo. Os lojistas com maior poder aquisitivo migraram para os shoppings centers e restaram alguns poucos resistentes por ali. O casarão então ficou um tempo meio esquecido pelos proprietários, com poucas salas ocupadas.
Até que, aos poucos, o centro passou a ser valorizado novamente. As pessoas, então, começaram a voltar a ocupar a região. O novo público animou Munir Candalaft Junior e o irmão, Fabio, filhos do comerciante, que decidiram reformar o casarão da família e trazer o imóvel à sua antiga glória. “Aproveitando essa onda de recuperação de imóveis quisemos dar a nossa contribuição”, contou Munir Filho. Dono de uma corretora de seguros, ele não mora no centro, mas passou a frequentá-lo mais nos últimos meses. Foi assim que o número 126 virou um espaço cultural, totalmente reformado pelo arquiteto e grafiteiro Gabriel Menezes.

(clique nas fotos para ampliar)
A fachada ganhou cores e, por dentro, os grafites marcam presença importante. Ao todo, 11 grafiteiros deixaram ali seus registros. Chamado de No Arouche, o casarão foi inaugurado no início de setembro, com vocação para abrigar lojinhas de artes, produtos de gastronomia, shows, festas e eventos para empresas.

Uma das salas para os expositores

Na abertura, 25 expositores mostraram, durante um final de semana, seus trabalhos de decoração, arte, moda, música, comidinhas e bebidinhas. Também teve shows de música, DJ, live paint e tatoo.
A intenção de Munir é fazer esse tipo de evento uma vez por mês – ou mais, se houver demanda. “Só vamos ter produtos de cunho artístico. Não queremos ser mais uma feirinha”, diz Munir.

Decoração reciclada

Mariana Bonfanti, da marca Jouer Couture, é a responsável pela curadoria desses eventos. Munir conta que buscou inspiração para o seu espaço em Nova York, no Meatpacking District, bairro que no século 19 era um vibrante centro de abatedouros e frigoríficos e que entrou em declínio em meados do século passado, até ressurgir novamente, no fim dos anos 1990, totalmente reconfigurado, como um lugar de bares, restaurantes da moda e lojas.
É lá que fica a High Line, a linha férrea desativada que foi transformada em parque suspenso e serve de inspiração para os grupos que defendem o fechamento do Minhocão aos carros e sua transformação num parque.
A iluminação da casa chama a atenção de quem passa por ali à noite. “O dono do restaurante de baixo já disse que ia aproveitar a iluminação ficar aberto até mais tarde”, conta, orgulhoso, Munir.
A seu favor, outros empresários também têm investido no centro, trazendo vida nova para o lugar.

Serviço: No Arouche – Rua do Arouche, 126 – Centro – E-mail: noarouche@gmail.com
https://www.facebook.com/noarouche/

 

 

 

 

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