Projeto ‘Tipos Paulistanos’ revela detalhes da cidade através de seu olhar “tipográfico”

Reportagem em parceria com São Paulo São
Fotos José Roberto D’Elboux

Os tipos do Banco do Estado de São Paulo

O projeto ‘Tipos Paulistanos‘ criado pelo publicitário J. R. D’Elboux conta a história de São Paulo através de um olhar “tipográfico” da cidade. Detalhes da arquitetura que muitas vezes passam despercebidos dos moradores são resgatados pelas lentes de D’Elboux, arquiteto por formação e professor do curso Pós Design Gráfico da FAAP.
“A ideia é que o projeto seja um repositório de imagens de elementos gráficos e arquitetônicos, interessantes e relevantes do ponto de vista da identidade da metrópole”, explica D´Elboux. “Além de referência visual, o projeto faz com que as pessoas reparem mais nos detalhes e nas riquezas que temos por aqui, os quais, na maior parte do tempo, passam despercebidos. Muitos se surpreendem ao saber que tudo isso é em São Paulo”, completa.

As letras do Edifício Eiffel

Os detalhes do piso de mosaico estilo art nouveau, com monograma da família Álvares Penteado, na Vila Penteado; as letras art déco na entrada do Estádio do Pacaembu; o monograma e as inicias no portão do casarão onde funcionava a antiga fábrica Têxtil Labor, no tradicional bairro da Mooca e inscrições caligráficas encontradas no cemitério São Paulo são alguns dos exemplos de como a tipografia se encontra entrelaçada à arquitetura da cidade, como importante elemento. Um outro bom exemplo dessa manifestação está na bilheteria do Cine Marabá, onde a tipografia é recortada no próprio mármore da construção.
Segundo D´Elboux, o uso da tipografia na arquitetura existe desde a Antiguidade, mas se intensificou durante o período moderno, e, de maneira mais particular, com a influência da art déco (movimento artístico internacional que começou na Europa em 1910, conheceu o seu apogeu nos anos 1920 e 1930 e declinou entre 1935 e 1939). “Esse estilo dominou a arquitetura paulista a partir da década de 1930, por isso o ‘Tipos Paulistanos’ reúne bastante material dessa fase”, comenta o publicitário, que defendeu dissertação de mestrado na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo sobre o assunto.

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D´Elboux começou a fazer o registro de tipografias em 2008. No início, eram apenas números. Depois, começou a colecionar letras. “Acabei me entusiasmando com isso, que uniu minha formação de arquiteto com meu trabalho como diretor de arte, em que a convivência com a tipografia é diária, e, também, com a fotografia, atividade à qual me dedico regularmente”, comenta.

Uma fase mais modernista na cidade

O foco do trabalho de J. R. D’Elboux está no art déco justamente por conta da influência do movimento na arquitetura paulistana entre os anos 1930 e 1950. Com o modernismo, as letras quase que sumiram das edificações. “A tipografia, no modernismo, entra como algo ornamental, acessório. No estilo art déco a arquitetura abre mais espaço, dando suporte, a essas letras. Já o modernismo abole toda ornamentação”, explica. Isso justifica quase que o “desaparecimento” da tipografia nos anos 1970, diz o pesquisador.
Entre os prédios modernistas com tipos que chamam atenção ele cita o edifício Gazeta, na Avenida Paulista. “Essa ideia de colocar o nome nas coisas está muito ligada ao positivismo (corrente de pensamento filosófico, sociológico e político que surgiu em meados do século XIX na França)” – e o modernismo não acatou.”

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Dessa forma, os letreiros, quando estavam presentes, no período dos anos 1970 aos 90, não eram muito elaborados. “A maioria era comprada em casas de ferragem, pasteurizada”, diz J. R. D’Elboux. De um tempo para cá (cerca de uns 15 anos, pouco mais), segundo ele, a tipografia volta a ganhar importância. “Vivemos  uma época mais pluralista em relação à linguagem. Já dá para perceber uma elaboração maior em alguns prédios atuais, como os vistos na Vila Madalena, alguns na Vila Olímpia, por exemplo.”
Ele cita ainda as letras que ornamentam a Biblioteca de São Paulo (BSP), no Parque da Juventude, Carandiru, como um exemplo de sinalização atraente, que chama atenção e que tem relação direta com o espaço que indica. (clique nas fotos para ampliar)
Em seu trabalho, J. R. D’Elboux pretende, de certa forma, estimular as pessoas a olharem mais a cidade em que vivem. “Quando passamos apressados ou de carro, dificilmente percebemos esses detalhes. Mas, andando a pé, com calma, dá para ver muito mais beleza, significado e muita riqueza de detalhes nos prédios de São Paulo.”
Para quem quiser conhecer mais, no link a seguir, há um mapa do Google com as principais tipografias art déco em prédios de SP. Parte do mestrado dele na FAUUSP está em: https://goo.gl/gnNRQE
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