História e arte no antigo Palácio dos Correios

Reportagem Maria Lígia Pagenotto
Fotos Marcia Minillo

Edifício ganhou mais importância do que a praça, "roubando" o nome do local ©Marcia Minillo
Edifício ganhou mais importância do que a praça, “roubando” o nome do local

Ele está ali, no coração da cidade de São Paulo, no lado mais antigo da metrópole. O prédio chama atenção no Vale do Anhangabaú, ocupando um espaço de 15 mil metros quadrados de área construída – uma obra que começou em 1919, com o objetivo de abrigar a Agência Central dos Correios e Telégrafos, e foi inaugurada três anos depois, como parte das celebrações do centenário da Independência do Brasil.
Sua construção, muito importante para a época, fez parte de um processo de urbanização do vale.
Foi nesse período que o trecho inicial da Avenida São João foi alargado e outros edifícios foram construídos na área. O prédio dos Correios, conhecido como Palácio dos Correios, integra, juntamente com o Teatro Municipal, o Edifício Martinelli e o Viaduto do Chá, um expressivo conjunto arquitetônico do centro de São Paulo.

Área interna do Centro Cultural Correios ©Marcia Minillo
Área interna do Centro Cultural Correios

De estilo eclético, com outras edificações da mesma época, ele foi projetado e erguido pelos arquitetos Domiziano Rossi e Felisberto Ranzini, do Escritório Técnico Ramos de Azevedo.
Tornou-se um ponto marcante na paisagem urbana da capital e fez com que a Praça Pedro Lessa, onde está localizado, ficasse mais conhecida como “Praça do Correio” do que pelo seu nome original.
Até a década de 1970, as dependências do prédio – lotadas pelo público e por funcionários – concentravam uma movimentada agência e, mais importante, as atividades administrativas dos Correios. Posteriormente, esse serviço foi transferido para o bairro da Vila Leopoldina, na zona oeste da cidade.
O Palácio dos Correios passou, nessa ocasião, a abrigar apenas serviços gerais de postagem. O prédio, então, foi colocado para reforma.
Para dar início a esse etapa, em 1997, os Correios promoveram um concurso nacional de arquitetura, em que os escritórios concorrentes deveriam elaborar propostas de adaptação das instalações do edifício em um centro cultural. O projeto vencedor foi o do escritório Una Arquitetos, que buscava valorizar a circulação interna do local. As mudanças incluíram a criação de divisões internas, rebaixamento do forro e instalação de elevadores, entre outros itens.

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Posteriormente à reforma, em 2012, o Departamento do Patrimônio Histórico (DPH) tombou o prédio, em um processo que tratou também do tombamento de toda a região do Vale do Anhangabaú.
Atualmente, funcionam no edifício a Agência Central de São Paulo, a Agência Filatélica D. Pedro II, que faz atendimento especializado para colecionadores de selos, e o Centro Cultural Correios – este último, inaugurado em 2013, em um espaço de 1.280 metros quadros, conta com duas salas para exibições de arte, em geral, gratuitas, e um saguão central.

Exposições incentivam artes visuais, humanidades e música
Ainda pouco conhecido pelo público, o Centro Cultural Correios São Paulo vale ser visitado por sua arquitetura e história e também pelas atividades culturais que costuma oferecer nos campos das artes visuais, humanidades e música.
A agenda é variada, com programação que se estende ao longo do ano, disponível no site dos Correios. As mostras buscam atender aos diferentes gostos, oferecendo exposições de obras de artistas renomados e dos que estão em início de carreira.

Relógio integra fachada do Centro Cultural Correios ©Marcia Minillo
Relógio integra fachada do Centro Cultural Correios

Entre as apresentadas este ano, vale lembrar O Rio de Debret, com 120 aquarelas feitas pelo artista francês Jean-Baptiste Debret (Paris, 1768-1848), no Rio de Janeiro, retratando a vida na cidade durante a transição entre a Colônia e o Império.
Mais recentemente, o local recebeu uma exposição do artista Elifas Andreato, nascido em 1946 no Paraná. Com meio século de carreira, Elifas tem uma trajetória importante ligada à música popular brasileira e ao teatro, com um posicionamento político muito claro, contrário ao regime militar, sempre com a preocupação de reafirmar a identidade cultural brasileira.
Outra mostra ocorrida no prédio dos Correios bastante procurada foi a do desenhista José Carlos de Brito e Cunha, conhecido como J. Carlos, nascido no Rio em 1884 e falecido na mesma cidade, em 1950. Além de chargista, ilustrador e designer gráfico, ele fez também foi escultor, autor de teatro de revista, letrista de samba e é considerado um dos maiores representantes do estilo art déco no design gráfico brasileiro.

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Agora em dezembro o Centro Cultural está expondo o trabalho da pintora Djanira da Motta e Silva, com a mostra intitulada Cronista de ritos e pintora de costumes. São aproximadamente 120 obras, produzidas entre 1940 e 1979, com trabalhos em óleos, têmperas, guaches, acrílicas, gravuras, nanquins, entre outras.
Como o próprio nome diz, a exposição traz pinturas sobre o cotidiano do povo brasileiro, do trabalho ao lazer, passando pelo sincretismo religioso, com pescadores, mineiros, trabalhadores do campo, mulheres rendeiras, costureiras e santos de devoção.
A visita ao local vale tanto pelas mostras como para conhecer o prédio e sua história.
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Serviço – Centro Cultural Correios São Paulo
Endereço: Avenida São João, s/nº, Vale do Anhangabaú
Informações e agendamento de visitas:  (11) 2102-3690
Horário: de terça a domingo, das 11h às 17h – Entrada franca
centroculturalsp@correios.com.br
https://www.correios.com.br/sobre-correios/educacao-e-cultura/centros-e-espacos-culturais-dos-correios/centro-cultural-sao-paulo

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