Rio Mar, a autêntica culinária peruana

Reportagem Maria Lígia Pagenotto
Fotos Marcia Minillo

Preparo cuidadoso do ceviche
Preparo cuidadoso do ceviche

A visita ao restaurante Rio Mar – inaugurado em abril deste ano – valeria a pena ainda que a comida deixasse um pouco a desejar, o que não acontece. A gentileza e a simpatia são marcas registradas dos três jovens irmãos peruanos que tocam o negócio – Hosler, Michael e Franco Castro Fernandez.
Soma-se a isso o lugar onde está localizado o restaurante: a esquina paulistana imortalizada por Caetano Veloso na música Sampa, onde se juntam as avenidas Ipiranga e São João.
Um outro atrativo fica por conta do agradável espaço onde os rapazes se estabeleceram, um salão que mescla simplicidade e bom gosto, num prédio antigo e restaurado, com amplas janelas, de onde se avista a tão cantada esquina.
Mas, como se não bastasse a boa acolhida dos donos e o mais do que paulistano ponto, a comida do Rio Mar é de fato saborosa.

Michael e Franco, dois dos sócios do Rio Mar
Os irmãos e sócios Michael, Franco…

Feita com capricho artesanal e delicadeza de detalhes, os pratos que chegam à mesa trazem sempre ingredientes frescos e combinações deliciosas da legítima culinária vinda do Peru. Batata doce, milho e vários tipos de pimenta, são ingredientes muito presentes na gastronomia peruana. Os peixes e frutos do mar predominam.
Os irmãos que tocam o empreendimento entendem do assunto. Em sua terra natal, aprenderam os primeiros passos no ofício. Já em São Paulo, onde vieram para se estabelecer, passaram por um point gastronômico peruano bem conhecido. E, antes de abrirem seu próprio restaurante, vendiam comida na rua, o que serviu como um balão de ensaio para a produção de uma comida mais autoral.

Hosler, um dos sócios e o delicioso ceviche
…e Hosler com o delicioso ceviche

O cardápio variado tem opções que podem ser degustadas num corriqueiro almoço de um dia de semana, daqueles apressados. Mas também oferece sugestões para petiscar, ideais para aqueles que querem aproveitar o sábado ou o domingo para comer com a família ou com os amigos, fazendo uma refeição demorada.
Entre os pratos frios, estão os choritos – mexilhões servidos marinados com cebola roxa e, claro, os ceviches, a base de peixe cru (tilápia), temperados com limão, pimenta, cebola roxa, regados ao leche de tigre, o molho que sempre o acompanha, e a batata doce cozida e o milho peruano complementam o prato.
Para completar, peça o pisco sour, bebida típica do Peru, uma espécie de caipirinha do país andino, feita de aguardente de uva e temperada com limão. Quem prefere algo não alcoólico pode experimentar a chicha morada, feita a base de milho de cor roxa, fervido com especiarias e frutas.
Já a parte quente do cardápio traz como atrativos o lomo ou pollo saltados, carne ou frango flambados com cebola, tomates, servido com batatas fritas e arroz e as papas a la huancaina, batatas mornas com molho cremoso de ajís (pimentas).
Se o grupo à mesa quiser dividir um prato, o piqueo marino é uma escolha interessante. Ele é composto por ceviche, chicharrones, causas rellenas (purê de batata com frango ou caranguejo, muito consumido no Peru) e arroz com mariscos. Os chicharrones também são servidos à parte, para quem quiser. Trata-se de peixe empanado, acompanhado de mandioca (maiz) frita, e uma salada. Também há o chicharrone misto, com camarão, mexilhão e lula, além do peixe.
No cardápio chama atenção ainda o causa rellena – um rocambole de purê de batata recheado com polpa de caranguejo e maionese. Diferente e bem saboroso.

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Delicadeza na decoração e boa conversa são diferenciais

Os cozinheiros do Rio Mar são todos peruanos, vale ressaltar. “Nem todos que chegam aqui sabem cozinhar de tudo, mas nós ensinamos”, explica Michael, formado em gastronomia no Peru. Em parceria com o consulado peruano, vez por outra ele ministra aulas sobre como preparar as delícias de seu país. E, no Rio Mar, ele também comanda as panelas.
Os pratos frios, feito na frente dos fregueses fica por conta de Franco. Já Hosler é mais das bebidas, e se dedica a oferecer o delicioso pisco.
A culinária peruana, argumentam, está em expansão no Brasil. E os irmãos, que, entre a comida de rua e o atual restaurante, foram proprietários de um pequeno estabelecimento na Rua Guaianazes, também no centro, não escondem seu sonho: abrir franquias do Rio Mar em várias cidades brasileiras.

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Enquanto esse dia não chega, eles seguem caprichando nos pratos, bebidas e nos detalhes do restaurante da São João com a Ipiranga. Como não reparar nas garrafas do refrigerante mais consumido no Peru (o Inka Cola) que se transformaram em delicados vasos de flores espalhados pelas mesas?
Nas paredes, quadros que reproduzem as Linhas de Nazca, geoglifos compostos por linhas, formas geométricas e silhuetas que recobrem mais de 1000 km2 no deserto da cidade de Nazca, completam a decoração.
No mesmo espaço, nos outros andares do prédio, eles pretendem ainda abrir uma temakeria e, quem sabe um centro de aulas sobre a culinária andina.
Muito focados em seu negócio, os meninos do Rio Mar, por si só, também valem a ida ao restaurante: com paciência, eles explicam, para quem pergunta, como os pratos são elaborados e sempre têm um tempinho para bater papo com a clientela.
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Serviço: Restaurante Rio Mar – Av. São João, 610 – 1ºandar – Centro – Tel.: (11) 3224 8938 e whatsapp (11) 93019 7668
Aberto de segunda à domingo das 12h às 23h
www.riomarrestaurante.com.br

 

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