Um parque pra chamar de Augusta

Reportagem Maria Lígia Pagenotto
Fotos Alf Ribeiro e Marcia Minillo

Destino incerto para os 24 mil metros quadrados ©Marcia Minillo
Destino incerto para os 24 mil metros quadrados ©Marcia Minillo

Ele ainda não nasceu formalmente, mas já tem nome e muita gente zelando por sua sobrevivência. Com 24 mil metros quadrados, o terreno do denominado Parque Augusta, está localizado entre as ruas Augusta, Marquês de Paranaguá e Caio Prado, onde fica o portão principal de acesso, na região central da cidade. Tombado pelo Patrimônio Histórico em 2004, há 40 anos é o centro de uma disputa entre os que lutam pela construção do parque e os antigos donos, que querem construir edifícios comerciais no local.
No final de agosto, em mais um episódio dessa luta, não foi fechado acordo na audiência de conciliação entre Ministério Público Estadual (MPE), Prefeitura de São Paulo e as construtoras Cetin e Cyrela, proprietárias da área. Dessa forma, em setembro, os trâmites judiciais seguiam, sem prazo, por enquanto, para um desfecho.

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Crianças e adultos mobilizados pela área verde ©Marcia Minillo

Mas, se depender da vontade e da garra dos grupos mobilizados em torno da construção de um parque na região – bastante carente de verde -, a área será aberta para a população. E não “fechada” para a construção de edifícios comerciais, a serviço de poucos, como cobiçam alguns especuladores.
O destino do terreno, que abrigou o colégio de freiras Des Oiseaux, é incerto desde 1970, quando foi declarado de utilidade pública para ser transformado em parque. Logo em seguida a Câmara Municipal revogou o decreto e o devolveu aos proprietários, que pretendiam construir ali um hotel com 1400 apartamentos. Nenhuma árvore seria derrubada, garantiram na época os responsáveis pelo projeto do hotel, que acabou não vingando.

Um pouco de história

As discussões sobre o que fazer no local mobilizaram desde as gestões de Paulo Maluf, prefeito de 1969 a 1971, à do atual prefeito, Fernando Haddad. Além de parque e hotel, já se pensou em erguer no local um supermercado e um museu da música popular brasileira. Enquanto não se decide o seu destino, o terreno já abrigou um circo, recebeu as principais bandas de rock brasileiras durante a década de 1980, quando lá funcionou o Projeto SP, e serviu de estacionamento.

Bosque urbano ©Marcia Minillo
Bosque urbano ©Marcia Minillo

Recentemente, no entanto, diversos grupos, formados por moradores da região e simpatizantes da causa, têm se mobilizado de forma sistemática pelo futuro do Parque Augusta. No ano passado, o local foi ocupado por pessoas que protestavam contra a decisão de destruir o verde do lugar. De lá pra cá, as manifestações em defesa do parque só se intensificaram.
E não é para menos o temor dessa destruição. O terreno é considerado a última área verde permeável do centro da cidade. Isso significa um dos raros lugares revestidos com vegetação (grama, arbustos ou árvores) e com um bosque na região, repleto de árvores centenárias, inclusive espécies remanescentes da mata atlântica.
Enquanto o impasse não se resolve, a luta prossegue na justiça e na rua. Os militantes organizados em torno da preservação da área estão sempre atentos, e divulgando os movimentos em relação ao local em página no Facebook. Além de manterem os interessados na causa informados sobre as questões jurídicas, vez ou outra convocam as pessoas para protestos em defesa do parque.

Movimento em defesa do Parque ©Alf Ribeiro
Movimento em defesa do parque ©Alf Ribeiro

Rede de Novos Parques

O Parque Augusta, mesmo ainda não estando consolidado, integra a Rede de Novos Parques, que, segundo a definição dos organizadores, é uma “plataforma aberta e horizontal de discussões para facilitar o processo de criação, preservação e conservação de parques, praças e áreas arborizadas da capital paulista”. A Rede, da qual faz parte também o recém-inaugurado Chácara do Jockey, defende uma nova forma de gerir os espaços públicos de São Paulo.
Para isso, foi desenhada uma metodologia de pesquisa com foco nas questões urbanísticas da cidade, que também inclui outras áreas de conhecimento, como: biologia, agronomia, direito, psicologia, saúde, midialivrismo, além da própria arquitetura.
Segundo os organizadores, o grupo está aberto às pessoas que quiserem participar e colaborar nesse importante processo para a cidade e a população.

(clique nas fotos para ampliar)
As propostas estão alicerçadas em ideais inclusivos, gestão participativa e horizontal, com decisões coletivas. Se for consolidado como parque, o Augusta oferecerá atrações escolhidas pelo próprio público. Os ativistas querem que o espaço, além de área verde e de lazer, desencadeie uma série de discussões que contribuam para ressignificar a ocupação do espaço público.
Para ficar por dentro, acesse: Parque Augusta, Rede Novos Parques
veja mais fotos aqui

Serviço: Entrada principal pela Rua Caio Prado, 350 – Centro (o parque ainda não está aberto ao público)

 

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