Um palacete assobradado

Reportagem Marina Izidoro
Fotos Marcia Minillo

O palacete foi residência de Santos Dumont
O palacete, que hoje abriga o Museu da Energia, foi residência de Santos Dumont

A exemplo daquele da letra de Adoniran Barbosa, o palacete onde fica o Museu da Energia, numa das esquinas da Alameda Cleveland com a Alameda Nothmann, nos Campos Elíseos, foi abrigo de dezenas de sem-teto por quase 20 anos. Em 2001, com a posse definitiva do imóvel, a Secretaria de Estado da Cultura o cedeu em comodato para a Fundação Energia e Saneamento, à qual o museu, inaugurado em 2005, está subordinado.
Até hoje, mais de 120 anos se passaram desde que Henrique, o irmão mais velho de Santos Dumont, se mudou com a família para o palacete, erguido no primeiro bairro planejado da cidade, mas a atmosfera da casa ainda é a mesma. Isso graças a um minucioso trabalho de restauração, que levou quatro anos e deixou a construção com boa parte das características originais.

Piso de ladrilho hidráulico
Na entrada, piso de ladrilho hidráulico

Construído entre 1890 e 1894, com projeto do escritório do arquiteto Ramos de Azevedo, o palacete foi ocupado pela família de Santos Dumont até 1926, quando passou a ser a sede do núcleo feminino do Colégio Stafford. Para a instalação do colégio, que ocupou o local até 1951, foram erguidos prédios anexos para salas de aula, diretoria, laboratórios e auditório, além da casa da diretora e fundadora da escola, Blandina Ratto.
A construção original foi adaptada para servir de dormitório e área de convivência das alunas do internato. De 1952 a 1983, com o fechamento do colégio, o local foi ocupado pela Sociedade Pestalozzi, atual Associação Brasileira de Assistência e Desenvolvimento Social, que cuida de crianças e jovens com deficiência intelectual e autismo. Entre 1983 e 2001, sofreu várias invasões até o início das obras de restauração. No total, são 3 mil metros quadrados de terreno e 1.720 metros quadrados de área construída.
Hoje, o imóvel está impecável e chamam a atenção, logo na entrada, o ladrilho francês do hall e o mármore italiano da escadaria, mas no início da restauração o imóvel estava quase em ruínas. Foi necessário reconstruir batentes, escadas e janelas. A equipe ouviu relatos de alunas que estudaram no Colégio Stanford, nos anos 1940 e 1950, para obter informações dos detalhes arquitetônicos do prédio. Como restaram apenas fragmentos do gradil, ele foi totalmente fabricado numa oficina montada especialmente para isso.

Construção levou quatro anos para ser concluída
Construção levou quatro anos para ser concluída

Os afrescos pintados na parede, o piso de madeira, os detalhes em gesso, as portas e janelas em arco, todos esses detalhes enriquecem a visita ao museu. No térreo do prédio, há um mapa interativo que mostra a expansão da cidade e das linhas de transmissão de energia. Há, ainda, textos e fotos com a história do palacete e peças do acervo da Fundação Energia e Saneamento, como o molde de 1911 dos postes de iluminação pública instalados no entorno do Teatro Municipal.
No andar superior, há painéis mostrando dos primórdios da utilização da energia elétrica em São Paulo até os dias de hoje. Filmes, maquetes e painéis também levam à reflexão de temas atuais envolvendo a produção da energia e o meio ambiente. No galpão externo, até dezembro de 2016 estarão expostos painéis fotográficos da exposição “Gasômetros pelo Mundo”.
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Serviço: Alameda Cleveland, 601, Campos Elíseos – Tel.: (11) 3224-1489
Aberto de segunda a sexta-feira, das 10h às 17h – Gratuito
www.energiaesaneamento.org.br

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